sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Equívoco.

Espero, estimulo, nada.
Meus olhos fitam a piscina que se materializa em minha frente, atravesso tudo aquilo que está ali e chego próximo ao abismo de seu olhar. Aqueles olhos azuis piscina que tanto me atraíam e me puxavam pra sí. Me empulso, mas não caio.
Meus olhos escorregam pra seus lábios, você passa os dentes pelo seu lábio superior e o solta, depois umidece-os com a ponta da língua. Nada.
Onde está aquela chama que você acendia em meu corpo? Aquele desejo de te possuir, de transformar nossos corpos em um só? Sexo, sexo, sexo.
Eu queria sentir, eu não sentia, eu queria. Meus olhos estavam fechados, e eu caminhava as cegas em um local que eu não conhecia. Passos em falso, tateando a procura do amor.
Então eu te encotrei. Minhas mãos passearam pelo seu corpo, descobrindo você e seus pontos fracos, era tão divertido, era tão prazeroso. Explorava teu corpo e te amava, óh, eu te amava.
Eu percebia você me causando arrepios, me excitando. Aluscinada. 
Eu queria sentir, eu não sentia, eu queria.
Desejo, luxúria, prazer.
Eu te amava, você brincava. Por que pra ti, amor era sinônimo de prazer carnal.
Abro os olhos, te vejo, enxergo sua alma. Todas as emoções causadas, o sentimento, os desejos se dissolve em algo só: Desprezo. Óh, como eu te amava.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Atormentada.

Acordo. Um raio de sol cruza a janela sem 
cortina de meu quarto e clareia minha face, em
um reflexo abro os olhos e tenho minha íris 
queimada pelo filho da mãe sacana desse sol. 
Não é um sonho. A prova? eis que meu peito é
invadido por aquela sensação de todos os dias. 
Há algo dentro de mim, não sei o que é, mas
machuca mesmo sem causar dor. Incomoda ao ponto
de eu querer enfiar meus dedos pela minha garganta
e arrancar meu coração corpo a fora e ao menos 
uma vez conviver comigo mesmo sem esse tormento.
Maldito tormento. 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Doce ilusão.

Não é como se houvesse dor, é apenas a estranha sensação de não sentir nada. Respiro. O ar enche meus pulmões me mantendo viva, ou não, talvez apenas garantindo a minha exitência. Tem um vácuo, um buraco
vazio que sangra ansiando ser preenchido. Como se faltasse um pedaço de mim, uma grande parte roubada,
arrancada... e eu sendo obrigada a viver sem minha metade. Viver aguardando a boa vontade do destino
para trazer aquele que me preenche ao meu encontro.
Porque só somos felizes assim: nos iludindo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Reflexo.

Eis um espelho.
Sorrio tímida para a pessoa a minha frente,ela retribui da mesma forma. 
Há algo estranho nela, algum segredo escondido que me impede de enxergá-la 
realmente, de tocá-la. Algo me deixa distante, me intriga. Uma incógnita.

Um fato.

Quando sua felicidade depende dos sorrisos sinceros de outra pessoa, sua tristeza está decretada.

Carta para a pessoa amada.


Como eu queria estar ao seu lado agora. Deslizar as pontas de meus dedos pelas costas de sua mão, depois envolvê-la com toda minha palma, sentir a delicadeza de sua pele e depois sorrir ao perceber o ouriçar dos pelos de seus braços pelo contato de minha mão grande e indelicada com a sua lisa e macia. Me ver presa em seus olhos grandes e negros, que serião angelicais se não fosse a malícia que aquelas pupilas enormes escondiam. Óh, como eram belos seus olhos.
Como eu queria estar ao seu lado agora e observar seus lábios finos e vermelhos se curvarem rascunhando um sorriso maldoso em sua face. Depois pousar minha outra mão na curva da tua cintura e puxar-te firme e delicadamente contra meu corpo. Perceber seus dedos virem de encontro a minha nuca e arrepiar-me com o roçar de suas unhas. Escorregar minhas mãos por toda extensão de suas costas apertando as pontas de meus dedos contra sua pele. Sentir pousar seu queixo na curva entre meu ombro e meu pescoço e ser invadida pelo aroma doce e suave dos seus cabelos. Sentir novamente calafrios percorrerem meu corpo causados por suas leves carícias e nos fazer um só corpo outra vez.
Como eu queria tê-la em meus braços agora.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Palavras de um homem.

Observo minha imagem refletida no espelho, distorcida, como se vista através de uma poça de água lamacenta em movimento. Os lábios pendidos em tênues curvas, um sorriso superficial desenhado em minha face. As pessoas se vêm seduzidas por sorrisos, as pessoas não se importam mais coma  alma. Meus olhos escuros, inchados, vermelhos, profundos... a porta para a alma, a porta pela qual a minha verdadeira felicidade é demonstrada, e lágrimas são o que enchem meus olhos ao sentir que felicidade é ilusão, vivo de alegria e momentos de prazer. E o que é amor? Vamos falar dele? Eu te dou o que você quer. Eu te dou sexo e prazer, te dou amor. Amor que é sinônimo de luxúria e desejo carnal. 

Desesperança

E há muito tempo em que o mundo vem se desmoronando sobre mim. Sonhos e esperanças liquidados pelo desconforto do vazio. Existindo involuntariamente sem ter mais forças pra viver... Mas viver como? Quando o sopro da vida se foi instantes antes do meu último suspiro de esperança? Existo cansada, derrotada pela ilusão de que o destino te colocaria em meu caminho. Você, aquele que talvez seria o meu salvador.