terça-feira, 8 de março de 2011

Companhia

Ela estava sentada em frente a sua velha escrivaninha de madeira, vigiada por um espelho que cobria a parede. O pequeno caderno de capa azul celeste que servia como diário pra moça de cabelos cor de fogo estava aberto sobre o móvel delicado numa página em branco. Mentira! A página estava parcialmente em branco pois havia algumas frases riscadas de textos que começara a escrever, mas não teve como continuar; não faltou imaginação, não lhe faltou sensibilidade e, sim na verdade, lhe faltou sentimentos pra expressar.
O lápis em sua mão tinha uma das extremidades úmida pois não saía de sua boca, a ansiedade por querer escrever e não ter sobre o que fazer a pertubava, afinal sua mente sempre esteve aberta, aberta o suficiente pra nunca lhe faltar conteúdo, nunca lhe faltar palavras.
A ponta do lápis quicava ao lado do caderno destruindo o silêncio do local. Sua inquietação e sua dificuldade de se concentrar seria fácilmente notada caso ela não estivesse sozinha. 
Então, ela bate suas pestanas e seus longos cílios abrem passagem para a gotícula retida no canto de seu olho esquerdo transbordar e escorrer lentamente pelo seu rosto de linhas fortes. A menina fita o espelho a tempo de observar a lágrima cortar sua face. Afinal era isso, ela estava sozinha. 

19 comentários:

  1. òtimo texto. Adorei a citação no painel do blog de Clarice Lispector.
    Beijos

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  2. Descreveu 1 de minhas noites de semana passada, o texto está incrível. Parabéns.

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  3. Adorei , sou parecida com a personagem ! :*

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  4. Muiito Boom! Parabéns Vou Ajudar a Divulgar seu Blog!

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  5. É...às vezes não são as palavras que fogem, e sim as emoções.

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  6. Meos Deus, me surpreendi com as palavras... merticulosamente perfeito! Parabéns!

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  7. nossa, que lindo, muito bom o texto.

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  8. muito bom. gostei de todo o sentido conotativo das palavra, me lembra muito a Clarice Lispector !

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  9. Thay, um dos filmes que mais gosto é:"Cidade dos Anjos!"E nesse filme, tem uma cena que o anjo diz que seu autor preferido é o Ernest Hemingway, porque da forma que ele escreve,vc consegue sentir e saberear cada detalhe da cena.Por exemplo,se ele falar de uma pera,na mesma hora vc sente seu gosto adocicado na boca e seu cheiro.o livro dele no filme chama-se"Paris é uma Festa!"Eu tenho esse livro,e realmente me senti andando com ele nas ruas de Paris.Não sou crítica,mas o seu jeito de escrever me lembrou muito ele.Parabéns pelo seu talento!!! @jussararesende

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  10. Lindo! Poético! Maravilhoso, repleto de sensibilidade!

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  11. Parabéns, muito bons teus textos! Abraços!

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  12. Aí eu pergunto: quem nunca se sentiu 'preso' assim?

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  13. Seu blog possui textos lindos. Me identifiquei muito com esse. Acredito que todos nós já passamos por algo assim. A necessidade de falar, escrever ou demonstrar sentimentos.

    A solidão é assustadora e bem diferente do sentido de estar sozinho.

    Adorei o texto.

    Beijos

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  14. momentos de solidão são aqueles em que temos que olhar no espelho e cruzar nosso olhar consigo mesmos. Adorei o texto.
    ///~..~\\\

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  15. Parabéns gostei muito do seu blog queria convidar vc para fazer parceria ao blog do comédia, migramos poucos dias para o Wordpress não tem muita novidade por lá, estamos agora se adaptando, se aceitar a parceria, indica nosso blog que a gente coloca o seu no blogroll, coloca na sua página nos indicando, http://blogdocomedia.wordpress.com entre em contato pelo nosso email ocomedia@r7.com e nos fala se aceita ou não

    Obrigado pela atenção.
    Equipe do B.C

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